Sou um peão boiadeiro, que não conhece o cheiro da poeira do chão.
Tenho um lindo cavalo lazão, muito bem arriado, com uma cela de vaqueta de um novilho bem-criado.
Que foi chifrado por um touro, o qual foi seu pai. Uma rédea encastoada de prata bem marchetada.
Um laço de sete palmos, pendurado do lado direito, uma tala de lapa larga só para enfeite, nunca foi usada nele. Tem as quatro patas bem ferradas com quatro ferraduras, com sete cravos em cada uma, para tirar fogo nas calçadas das ruas, deixando as moças malucas por esta minha boa estatura. Comandado pelo meu patrão, peão boiadeiro, já carregou em minha garupa, moças donzelas, mulheres casadas, solteiras ou viúvas. Já amansou muitos burros bravos, em suas narinas nunca sentiu o cheiro da poeira do chão, hei, você aí, moça bonita, monte aqui em minha garupa, vou te levar a passear pelos campos floridos, mares, lagos e rios. Só não carrego mulheres casadas por medo de seus maridos. Dos homens, quero distância, só nas mulheres confio, são criaturas belas, incumbidas por Deus, para povoar a terra, sem elas a terra seria um vasto deserto sem vida.
Escrito por José da Silva Caburé, poesias, contos e versos. Araruama.
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