Hoje acordei sentindo diferente, uma alegria, uma coisa boa, que nunca havia sentido.
Mesmo não tendo uma boa voz, deu vontade de cantar. Levantei, escovei meus dentes, lavei meu rosto, penteei meus cabelos, tomei café e fui para os fundos da minha casa, onde é uma chácara, sentei no meu velho banco e comecei a pensar. Olhando para a parreira de maracujá, vi um beija-flor a plainar. Levei algum tempo admirando o seu voar. Logo apareceu um bem-te-vi, a me acusar. No saputizeiro, um João de barro, construindo sua casinha. Eu observava, retirando fibras da bananeira, levando para a beira do riacho, misturando as fibras no barro para dar sustentação à sua casa. Notei que tinha várias casinhas, cada uma com a porta virada, umas para o norte, outras para o sul, e assim se sucedia mês a mês. Papai já tinha me falado que eles sabem a direção do vento de cada ano, e fazem as casas contra o vento, para evitar chuva e os pedradores. Logo posou no meu peito um grande grilo verde e começou a cricrilar, levantei minha mão com a intenção de matá-lo. Mas logo senti dó em matá-lo, pois tanto como ela estávamos felizes, por isto que ele estava cantando, mesmo que o seu cantar fosse como o meu, cricrilando.
Pensei, tudo que tem vida merece viver, porque a vida é um bem-dado por Deus.
Escrito por José da Silva Caburé, poesias, contos E versos.
Araruama.