terça-feira, 28 de outubro de 2025

Se o ser humano tivesse humildade e consciência de que ele é o mais imundo que existe sobre a terra.

Ele seria um ser bem melhor. Em certos momentos, ele sentiria nojo de si mesmo. Sobre o que carrega dentro de suas entranhas. Se não tivesse um aparelho digestivo para conter o mau odor que exala de dentro de suas entranhas. Ninguém suportaria estar dentro de um teatro ou de um cinema, ou em qualquer reunião de portas fechadas. Mesmo ele sendo esse ser imundo e mal-cheiroso. Uma boa parte é arrogante e preconceituosa. Esse ser desprezível que faz tanto mal ao seu próprio habitat, toda sujeira que sai dele poluindo a água, a qual é a fonte da vida porque fomos gerados dentro dela. Eu às vezes me defino sobre Deus por dar ao homem o poder sobre todos os seres viventes sobre a terra. Mas compreendi que ele estava certo, mais cedo ou tarde o próprio homem vai ser o causador da destruição da humanidade. A terra ficará ferida, mas não de morte, porque o que Deus fez, o homem nunca conseguirá destruir.

Escrito por José da Silva Caburé. Poesias, contos e versos.

Araruama, 28/

10/2025.

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Quem foi o cabra da peste que furou os olhos do merro cantador?

Canta, pássaro preto, quero ouvir o seu canto. Sei que não pode enxergar.

Furaram seus olhos, só para cantar melhor. O seu canto é de tristeza.

Quem ouvir chora de dó.

Negro, seu patrão mandou plantar. Planta, planta. Finca, finca, que eu arranco.

Seu cabra da peste. Comedor de arribaçã. Até a Aza Branca foi embora.

Escrito por José da Silva Caburé

, poesias, contos e versos.

Araruama.

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Após um beijo seu, me elevou ao céu.

Vi a lua e as estrelas, deitei-me em uma nuvem branca e adormeci.

Quando acordei, olhei de um lado e do outro, para ver se você estava ou foi só um sonho.

Só que não notei que estava deitado em seu colo. Afagando meus cabelos. Isto só pode ser a força do amor. Em fazer nossa alma viajar no tempo, enquanto nosso corpo fica inerte até que ela volte. Isto acontece com os poetas e poetisas, que amam a natureza, acreditando que Deus está em todos os lugares.

Nos rios, nas matas, nos campos e nos mares. Deus é a própria natureza viva, que gera as vidas.

Escrito por José da Silva Caburé, poesias, contos e versos.

Araru

ama.

Um homem que se ajoelha perante outro homem, ele só será a metade de um homem.

Sou de estatura pequena, se eu me ajoelhar perante um homem grande, eu não serei nada.

Só recuperando minha estima, após pegar meu revolver e deixá-lo deitado no chão, não de joelho.

Assim diz o antigo ditado. A árvore, quanto maior, o tombo será melhor.

Escrito por José da Silva Caburé, poesias, contos e versos.

Araruama.


sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Um espírito e uma alma conformados:

Te esperarei por toda a minha vida, se não for possível, não será o fim, te esperarei na eternidade.

O destino de outro chegou primeiro, por isso vivemos separados. Até quando? Não sei. A solitude não significa ser solitário. É só um modo de viver conformado. Assim penso, é melhor viver só do que viver mal acompanhado. Neste nosso caso, só mudarei este meu modo de viver, só tendo você ao meu lado.

O amor é um sentimento da alma, quando acontece, ela se enriquece com ouro e prata, para edificar sua

Provisória morada que cedo ou tarde ela se evapora. Só ela se eleva para a eternidade, ficando à espera de outra futura morada. A alma não é inquilina, é a proprietária. Às vezes, de um castelo, em outra ocasião pode ser em uma favela, em um barracão sem portas e sem janelas. Mas ninguém quer perecer, nem viver na solidão.

Escrito por José da Silva Caburé. Poesias, contos e versos.

Araruama.

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

De tanto te amar:

Pelas minhas circunstâncias, o meu amor se acabou em sonhos, e nada mais.

De tanto te amar, fiquei caminhando sempre na estrada da ilusão

Já velho, cansado, sentei em um banco sob a sombra de uma framboesa

Senti sono, deitei e dormi. Quando acordei, já era o sol matinal.

Levantei, segui meu destino, pensando em você, cheio de ilusões, sentindo-a de mãos dadas ao meu lado.

Mas sabendo que só eram imaginações, logo senti meu corpo esmorecer, minhas pernas perderam a força.

Caí de joelhos, fui arrastando até um sombreado, ali adormeci, não sabendo quanto tempo ali fiquei.

Só sei que, ao acordar, dei um pulo, gritando, me sentia forte, mas com muita sede e fome. No lugar em que fiquei deitado, a grama havia morrido, logo comecei a sentir umas coisas andando em minha costa

Passei as mãos na minha costa, de um lado e do outro, caíam bichos, fiquei apavorado. Como havia um córrego perto, fui correndo, quebrei uma galha na beira do córrego e comecei a esfregar. Não satisfeito, deitei na areia e comecei a rolar até que parou de incomodar. Voltei para a água, ficando um bom tempo até ter confiança de que estava limpo e sem aqueles bichos a me incomodar. Voltei para o lugar de onde fiquei, retirei da maleta o último par de roupa, joguei a outra no córrego, resolvi voltar e não concluir o resto da viagem. Mas logo senti sono, adormeci e sonhei com meu espírito me aconselhando. Meu querido velho corpo, este meu corpo já envelhecido, deve viver o resto de sua vida só em sonhos. Enquanto deixei você adormecido, fui falar com ela que você também a ama. Mas com os oitenta e oito anos, só poderá viver e sonhar lindos sonhos, assim como os teus sonhos. Que sabe, preciosa poetisa e minha amada professora, os nossos espíritos são eternos, um dia nos encontraremos, mesmo que seja no espaço sideral. Escrito por José da Silva Caburé, poesias, contos e versos. Araruama.