As crianças veem tudo grande, além da realidade.
Os seus olhinhos parecem ter lentes que amplificam.
Nasci em uma grande casa, nos fundos passava um córrego.
Para alimentar o moinho e o monjolo.
Na frente da casa passava um rio profundo, onde meu pai.
Todo ano colocava guaxima para amolecer para retirar as suas fibras.
Para ser vendida para confeccionar cordas e fios.
As terras onde nasci eram do meu pai, media vinte e um alqueires.
Tinha uma grande mata, ao lado de uma grande pedreira.
Nas terras tinha dois grandes baixadões, onde faziam as plantações.
De cana-de-açúcar, milho, feijão, arroz e outras:
Me tornei homem, fui servir à pátria, dei baixa, fui morar na capital do país.
Me casei. Passados cinquenta anos, resolvi visitar, onde fui nascido.
Que decepção, ou devo estar precisando usar óculos? A grande casa era um simples rancho, de pau-a pique, coberta por sapê. A grande mata era uma simples capoeira, a grande pedreira era uma simples pedra onde nascia um olho d'água, os dois baixadões não passavam de dois campos de futebol, o grande rio era um córrego que, mas acima, foi dividido para alimentar o moinho e o monjolo.
Mas com tudo isto, este foi o lugar onde nasci e fui criando até os dezoito anos. Recebendo de meus pais a educação, respeitando os meus semelhantes e sendo feliz.