De tanto te amar:
Pelas minhas circunstâncias, o meu amor se acabou em sonhos, e nada mais.
De tanto te amar, fiquei caminhando sempre na estrada da ilusão
Já velho, cansado, sentei em um banco sob a sombra de uma framboesa
Senti sono, deitei e dormi. Quando acordei, já era o sol matinal.
Levantei, segui meu destino, pensando em você, cheio de ilusões, sentindo-a de mãos dadas ao meu lado.
Mas sabendo que só eram imaginações, logo senti meu corpo esmorecer, minhas pernas perderam a força.
Caí de joelhos, fui arrastando até um sombreado, ali adormeci, não sabendo quanto tempo ali fiquei.
Só sei que, ao acordar, dei um pulo, gritando, me sentia forte, mas com muita sede e fome. No lugar em que fiquei deitado, a grama havia morrido, logo comecei a sentir umas coisas andando em minha costa
Passei as mãos na minha costa, de um lado e do outro, caíam bichos, fiquei apavorado. Como havia um córrego perto, fui correndo, quebrei uma galha na beira do córrego e comecei a esfregar. Não satisfeito, deitei na areia e comecei a rolar até que parou de incomodar. Voltei para a água, ficando um bom tempo até ter confiança de que estava limpo e sem aqueles bichos a me incomodar. Voltei para o lugar de onde fiquei, retirei da maleta o último par de roupa, joguei a outra no córrego, resolvi voltar e não concluir o resto da viagem. Mas logo senti sono, adormeci e sonhei com meu espírito me aconselhando. Meu querido velho corpo, este meu corpo já envelhecido, deve viver o resto de sua vida só em sonhos. Enquanto deixei você adormecido, fui falar com ela que você também a ama. Mas com os oitenta e oito anos, só poderá viver e sonhar lindos sonhos, assim como os teus sonhos. Que sabe, preciosa poetisa e minha amada professora, os nossos espíritos são eternos, um dia nos encontraremos, mesmo que seja no espaço sideral. Escrito por José da Silva Caburé, poesias, contos e versos. Araruama.