quarta-feira, 2 de julho de 2025

 As crianças veem tudo grande, além da realidade.

Os seus olhinhos parecem ter lentes que amplificam.

Nasci em uma grande casa, nos fundos passava um córrego.

Para alimentar o moinho e o monjolo.

Na frente da casa passava um rio profundo, onde meu pai. 

Todo ano colocava guaxima para amolecer para retirar as suas fibras. 

Para ser vendida para confeccionar cordas e fios. 

As terras onde nasci eram do meu pai, media vinte e um alqueires.

Tinha uma grande mata, ao lado de uma grande pedreira.



Nas terras tinha dois grandes baixadões, onde faziam as plantações.

De cana-de-açúcar, milho, feijão, arroz e outras:

Me tornei homem, fui servir à pátria, dei baixa, fui morar na capital do país.

 Me casei. Passados cinquenta anos, resolvi visitar, onde fui nascido.

Que decepção, ou devo estar precisando usar óculos? A grande casa era um simples rancho, de pau-a pique, coberta por sapê. A grande mata era uma simples capoeira, a grande pedreira era uma simples pedra onde nascia um olho d'água, os dois baixadões não passavam de dois campos de futebol, o grande rio era um córrego que, mas acima, foi dividido para alimentar o moinho e o monjolo. 

Mas com tudo isto, este foi o lugar onde nasci e fui criando até os dezoito anos. Recebendo de meus pais a educação, respeitando os meus semelhantes e sendo feliz.

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