Coisas que passam despercebidas. Só quem tem a alma em gratidão eterna sabe valorizar a vida.
A minha gratidão eterna é reconhecer de um filho para um pai e uma mãe. Pobres, muito pobres.
Mas muito ricos de corações nobres. A minha convivência com eles durou até meus dezessete anos,
Quando fui servir à pátria. Foi daí que fiquei sabendo que o mundo diferia do mundo em que eu vivia.
Foi aí que soube valorizar o meu velho pai e mãe. Um pai que nunca deixou faltar o pão de cada dia,
Mesmo que fosse um prato com feijão e farinha.
Este pai que me ensinou a ser um homem trabalhador e honesto, respeitar para ser respeitado.
Hoje, aqui neste novo mundo, sofri e ainda estou sofrendo, mesmo na modernidade, me dá saudades.
Daquele menino com os pés descalços, roupas limpas, mas velhas e desbotadas pelo tempo de uso.
Hoje uso ternos e gravatas, tendo um bom emprego um bom salário. Fui casado por duas vezes, na primeira tive dois filhos, um deles me maltratou, me acusou de ser um ladrão e ébrio.
Nesta de agora, sou feliz, mas deveria ser melhor. Me sinto um patinho feio, sem importância. Sempre sou o último da fila. Faço de tudo para agradá-los, mas nunca tive um reconhecimento em nada que faço.
Quando falam comigo, são arrogantes, e quando falo, sou criticado. Mas com os amigos todos são educados. Se estão conversando, quando apareço a conversa acaba. Ai, que saudades do papai e da velha mãezinha, Zé, Zé. Olha o seu prato de farinha. Pergunto: quem não gosta de ser bem tratado?
Até um cão e um gato.
Escrito por José da Silva Caburé, poesias, contos e versos.
Araruama.