segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

 Coisas que passam despercebidas. Só quem tem a alma em gratidão eterna sabe valorizar a vida.

A minha gratidão eterna é reconhecer de um filho para um pai e uma mãe. Pobres, muito pobres.

Mas muito ricos de corações nobres. A minha convivência com eles durou até meus dezessete anos,

Quando fui servir à pátria. Foi daí que fiquei sabendo  que o mundo diferia do mundo em que eu vivia.

Foi aí que soube valorizar o meu velho pai e mãe. Um pai que nunca deixou faltar o pão de cada dia,

Mesmo que fosse um prato com feijão e farinha. 

Este pai que me ensinou a ser um homem trabalhador e honesto, respeitar para ser respeitado. 

Hoje, aqui neste novo mundo, sofri e ainda estou sofrendo, mesmo na modernidade, me dá saudades.

Daquele menino com os pés descalços, roupas limpas, mas velhas e desbotadas pelo tempo de uso.

Hoje uso ternos e gravatas, tendo um bom emprego um bom salário. Fui casado por duas vezes, na primeira tive dois filhos, um deles me maltratou, me acusou de ser um ladrão e ébrio. 

Nesta de agora, sou feliz, mas deveria ser melhor. Me sinto um patinho feio, sem importância. Sempre sou o último da fila. Faço de tudo para agradá-los, mas nunca tive um reconhecimento em nada que faço.

Quando falam comigo, são arrogantes, e quando falo, sou criticado. Mas com os amigos todos são educados. Se estão conversando, quando apareço a conversa acaba. Ai, que saudades do papai e da velha mãezinha, Zé, Zé. Olha o seu prato de farinha. Pergunto: quem não gosta de ser bem tratado?

Até um cão e um gato. 

Escrito por José da Silva Caburé, poesias, contos e versos.

Araruama.