Espírito e alma, meus amigos inquilinos.
De mãos dadas, caminhamos na estrada da vida.
A casa já velha, destituída de tudo, sem eira nem beira.
Na porta, uma adrabia de bronze antiga, com cara de um tigre.
Na parede, um grande retrato da família que não mais existe.
Papai se destaca na fotografia, ostentando um terno de cacimira azul-marinho.
Uma grossa corrente de ouro, ostentando um relógio da marca Roscofe sobre seu colete.
Esse relógio deve valer várias patacas. Embora na grande casa não exista privada.
Nem existia papel higiênico. As necessidades fisiológicas eram feitas em pinicos.
Eram assim as vidas dos ricos.
Queridos amigos inquilinos. Chegou minha hora, estou indo. Desejo-vos, em suas vidas eternas, um novo lar.
Escrito por José da Silva Caburé. Poesias
, contos e versos.
Araruama.
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